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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Significância

Meu feed do LinkedIn está cada vez mais cheio de citações sobre felicidade no trabalho, senso de significado, realização e satisfação.
Pra uma sociedade acostumada à chibata, à discrepância salarial e a se submeter a subempregos para sobreviver, isso parece meio utópico.
Mas não precisa ser.

É claro que nem sempre podemos escolher o emprego dos nossos sonhos. Mas aquela velha frase de "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional" vale pra postura profissional também. Existe sentido em todos os trabalhos. Se você ocupa determinada posição, certamente é por uma das duas coisas: afinidade ou necessidade.

Se é por afinidade, já está no caminho pra realização. É um dom, vocação, trajetória intuitiva, ou "coincidências" que o levaram até aí. Encontrar o sentido de ser da sua tarefa é questão de perspectiva, de saber usar o que você tem de bom em favor de algum objetivo (e tudo bem se ele for estritamente pessoal, pelo menos é um objetivo pra te tirar do lugar e de cabeça erguida!)

Se é por necessidade - afinal, todo mundo tem conta pra pagar e as vezes a estrada entre o sonho e o que você pode oferece é longa ou até indefinida... - tenha em mente esse objetivo. "Eu trabalho só pra pagar a faculdade" então honre essa meta acadêmica sendo um empregado confiável que as pessoas o queiram por perto, e que essa firmeza da meta o torna determinado, e isso pode te destacar rumo ao que você realmente quer. "Eu não sei o que eu quero, trabalho só pra ganhar uma grana". Ainda sim, por mais que eu objetivo seja etéreo e externo, ter um objetivo te mantém no foco. Senão qualquer bico dá pro gasto, e nada vai te satisfazer, e nesse caso você precisa ter consciência do que precisa fazer para se manter empregado.

(continua...)

sábado, 30 de agosto de 2014

Felicidade levada a sério


Como boa leitora compulsiva, tenho seguido vários canais no Face com conteúdo bacana.
E nessa recente fase de realocação, projetos como a Biz.u e a 99Jobs tem me chamado muito a atenção por ir além do discurso de "é preciso gostar do que se faz". São plataformas que promovem encontros entre personalidades - pessoais e corporativas - muito além de casar vagas com curriculos.

Daí que num desses posts, veio a chamada pra um documentário sobre as métricas da felicidade.

Ah, mais uma teoria motivacional! Nops! Tem gente levando a felicidade a sério! Mas o que me chamou a atenção é que, sim, felicidade é uma opção, não um fator etéreo externo!
Pelo estudo cerca de 40% da nossa felicidade depende de atitudes, e só 10% é fruto do que temos.

Ok, chegamos a óbvia relação entre fazer o que se gosta e gostar do que se faz.

Nem precisa de estatística pra gente saber que, sim, a gente chega mais perto do estado de felicidade, realização e bem estar quando atingimos em algum grau, que seja, o sucesso, quando somos elogiados pelo que fazemos, ou simplesmente por desfrutar de alguma coisa que intendíamos.
E, claro, as coisas só se aproximam da nossa expectativa se, primeiro, a gente sabe o que se quer (e tudo bem se no meio do caminho você mudar de idéia...)
Da minha experiência - que moldaram várias teorias - acabei aprendendo que toda frustração nossa é fruto de má interpretação de sinais. Meu exemplo mais forte (e o que nos trouxe a esse texto) é aquele emprego "dos seus sonhos", mas que você mais idealizou do que realmente entendeu.

Grande parte dos processos seletivos que eu participei, o recrutador quer saber das suas habilidades técnicas, e em alguns até querem saber como é sua vida pessoal, muito mais pra traçar um perfil psicológico-comportamental do que propriamente pra conhecer você - como pessoa, não como ferramental laboral. O enooorme erro quando depois que a gente entra pra empresa é se dar conta de que, não, a gente não sabia onde estava se metendo.

A tão sonhada felicidade no trabalho está mais perto do que voce imagina: do lado de dentro.

Poxa, mais um daqueles textos de auto-ajuda? Oh, yes! Mas nem tanto...

O processo de consultoria e coach que eu comecei a desenhar é baseado num estudo de identidade corporativa, que só pode ter sucesso se, em primeiro estágio, houver motivação interna e consciência coletiva de quem é a empresa, dos calores que a movem e o tipo pessoas que precisam pra fazer com que funcione. E por isso o termo "auto-ajuda" está sempre pairando: por mais que exista um consultor pra direcionar, a resposta sempre virá de dentro.

É por isso esse estudo da felicidade ser um fator interno prova que o estigma da maior sessão da livraria é mais uma miopia do auto-conhecimento. Conhecer-se é fundamental pra ser feliz!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Potencial e Performance

Em momentos de ócio, corro logo pra página do eLearning da empresa. E num dos treinamentos de coaching, me deparo com o descritivo: para esclarecer a diferença entre potencial e performance.

Ok, parece óbvio. Mas na prática são dois conceitos confundidos e mal empregados em auto-críticas e posicionamento pessoal. Com mais de 7 anos secretariando todo tipo de gente, em empresas de todo porte e mercado, o que eu mais ouvi dos diretores foi "ele até tem potencial, mas..." e do outro lado ouvia dos funcionários que "meu potencial é diferenciado, a empresa que não reconhece e investe!"

Pelo que eu aprendi dos princícios básicos da administração, todo empreendimento precisa, necessariamente de 3 fatores para dar certo: 1 potencial; 2 planejamento; 3 investimento. E como eu sempre tive mania de levar os conceitos corporativos para a vida pessoal - afinal de contas, é sendo bons profissionais nessa sociedade capitalista que vamos conquistar realização pessoal e conquistas materiais - lá vamos nós analisar o "eupreendimento".

1) Potencial: um empreendimento começa de uma oportunidade de mercado, pela falta de um produto ou pela diferenciação de um já existente. Com a gente não pode ser diferente: cada um tem características, experiências e vivências únicas, que se bem aproveitadas, se transformam em um potecial de destaque no mercado. Reflita sobre tudo o que você já passou, de bom e de ruim, sem falsa modéstia ou vitimismo (principalmente vitimismo!). Na boa, até defeito, se bem analisado e tratado, se torna potecial - e diferencial!

Se você tem aquela inquietação constante e não para em lugar algum, é curioso, e adora enxergar um defeito no que os outros fazem, páre de se lamentar que ninguém te dá uma chance e você acaba enjoando rápido do emprego! Valorize esse pontecial! Já pensou em ser auditor de processos ou detetive? É a perspectiva que faz uma característica ser boa ou ruim.

2) Planejamento: descoberto o potencial, é hora de colocar tudo o que você aprendeu na faculdade em prática (afinal, você não pastou 4 anos pagando mensalidade só pra pendurar um diploma na parede, né...). Planejar significa transformar uma idéia em ação. E é nesse ponto que muita gente peca. Uma idéia genial sem uma ação é só um devaneio. Com o seu potencial, que tipo de meta (realista!) é possível traçar a curto e médio prazo (já que o longo prazo é distante demais pra gerações XYW)? Definidas essas metas, analise, peça opinião, pesquise, escreva, coloque num papel, rabisque, corrija. E atualize a cada novo passo. Planejamento pode mudar no percurso, não há nada de mal nisso, desde que não se perca o foco.

Exemplo: adora decoração e design, mas fez letras. Logo, o primeiro passo é uma formação - muita leitura e oficinas, no mínimo, mas se possível um curso técnico ou até outra faculdade - se já tem alguma habilidade básica necessária pro mercado. E por a mão na massa. Planejamento realista é dar passos conscientes e consistentes, e não acordar num dia e resolver bater na porta de um escritório de arquitetura esperando que  te sirvam um café e um convite pra aprender sobre o negócio sem o mínimo de embasamento. Peça orientação a algum profissional de referência, tenha a humildade em aprender mesmo os fundamentos básicos, pesquise, estude, entenda, reveja o que já foi feito e o que precisa ser feito.

E isso vale mesmo se você está bem onde está. Reavaliar-se constantemente, atualizar seu planejamento pessoal, procurar novos desafios e motivações é parte da evolução humana. Satisfação é diferente de comodismo.

3) Investimento: esse é o ponto que temos maior dificuldade de assimilar na vida pessoal o conceito corporativo. E é o que tenho ouvido de muitos gestores que falta nas equipes. Muitas vezes a empresa até pode investir financeiramente no funcionário, mas não reconhece a contrapartida do comprometimento pessoal. Atingir um potencial requer a disciplina de manter o foco, de manter a postura de comprometimento consigo mesmo, é planejar como e quando agir, mas acima de tudo entender que às vezes algum sacrifício é necessário para conseguir alcançar aquele patamar superior.

Pra aprender, você precisa estudar ao invés de dormir ou badalar (ok, é só um exemplo, a gente precisa descansar e a vida social pode te dar networking). Só é possível, por uma simples questão de lógica, ter retorno sobre aquilo em que investimos. Dedique tempo, tenha disciplina, crie rotinas, planeje as ações e não procrastine. De nada adianta reconehcer o potencial, planejar metas se não colocamos em ação.

E sempre que bater aquele desânimo, preguiça, covardia, ou qualquer outro impedimento, olhe pra trás, veja o quanto você já evoluiu - o simples reconhecimento do seu potencial já é um ponto muito a favor! - depois olhe pra frente e reveja a suas metas. Ás vezes esse simples estímulo já basta, mas em outras é preciso recorrer a incentivos externos. Leia sobre o assunto, peça ajuda, desabafe com um amigo, reveja os passos que ainda devem ser dados.

Aí, só aí, é que vai ser possível avaliar sua performance. Ela é o resultado do desempenho entre esses pontos. É o que determina, primeiro pra você mesmo, se potencial, planejamento e investimento estão alinhados e dando resultado. Dedique uma hora do seu fim de semana pra pensar a respeito - sim, pode ser na praia, não precisa ir pro cantinho zen... desligue-se de distraçoes, como TV, smartphone, pessoas, e comece a pensar, sem escrúpulos, no que está vivendo, no que gostaria de viver e nas condições possíveis de se aproximar mais dos seus objetivos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Anexo: meu CV

Alguns amigos me procuraram recentemente pra pedir ajuda, repensar sua postura, seu branding. Um se formou, fez pós, deu aula na faculdade e foi procurar emprego no Pará. Sem esconder sua personalidade, percebeu situações em que deveria ponderar ou exaltar. Outra tem um gênio forte, e bastou ela conseguir "manipular" isso e conseguir um bom emprego na sua área de formação sem deixar de lado a imagem marcante desde a primeira vista. Uma há tempos não conseguia passar numa entrevista, até entender a diferença entre concorrer a uma vaga e suplicar emprego.

Vi num filme esses dias que um cara estava procurando emprego, e ao invés de mandar seu currículo, escreveu uma carta para o gerente, contando como ele poderia usar seus talentos na empresa, e o que ela ganharia com isso, abordando os clientes de acordo com o seu perfil pessoal, e não só a formação acadêmica ou histórico profissional.
Já ouvi um estudante de engenharia contando como conseguiu o emprego na automobilística: mandou um relatório de como a diminuição de 1mm na circunferência do volante poderia impactar no orçamento, sem prejudicar performance.
Um conhecido me mostrou o curriculo que ele mesmo desenvolvera como designer: formas, cores, layout diferenciado. Inédito até então.

Claro que há restrições de políticas de apresentação, mas ao invés de uma página branca, relatando de forma protocolar suas experiências nas empresas - sempre dando aquela caprichada pra impressionar, claro - já pensou em se apresentar pessoalmente, tendo em mãos um verdadeiro portifólio que represente sua personalidade e especialização profissional?

Audacioso? Incomum? "Fora da caixinha"? Modéstia às favas?

É justamente o que o perfil desejado em muitas empresas e cargos tem esperado ver logo no primeiro contato com as empresas. Num mercado em que até os curriculos (e digo o acesso à formação e possibilidades de "descritivos" invejáveis para cargos básicos) é preciso se diferenciar em todos os aspectos, desde o primeiro contato - daí a idéia de inovar o seu curriculo - até fuginde de frases feitas e lugares-comuns nos contatos e entrevistas.

À primera vista, somos todos iguais, e existe um padrão gráfico e de conteúdo nos curriculos. Banco de talentos e cadastros para recrutamento existem aos montes. E a atitude mais relapsa é justamente esperar conseguir um emprego apenas com essa "prospecção" que mais parece spam.
Com essa postura, somos meros frutos numa caixa, esperando pra serem apanhados, sem grande diferenciação.

Pensando nessa diferenciação, e fazendo da necessidade um novo negócio - é dela que nascem as melhores soluções, não?! - o site Orange, resumiu em uma frase seu conceito, e desencadeou toda uma reflexão sobre como nos expomos ao mercado de trabalho.

Ao buscar uma nova colocação no mercado, é preciso reconhecer o seu valor, saber das suas capacidades e otimizar suas características, criando notabilidade através do seu networking. Mandar curriculos pela internet e ficar esperando que algum recrutador entre em contato só é válido se o seu curriculo for impressionante, o que com a facilidade de formação e - sejamos realistas - eloquência de alguns, não significa muita coisa.

Imprima sua personalidade em toda situação. A começar do seu curriculo, por que não? Respeite as regras de etiqueta e políticas das empresas que pretende se apresentar, e analise a concorrência, buscando saber seu potencial e diferencial. As emrpesas encaram seus empregados assim, porque não ter o mesmo conceito sobre a sua própria empregabilidade também?

domingo, 13 de março de 2011

QI, ou networking

É habilidade essencial hoje o relacionamento com as pessoas.
Por esse fato, não sou nada contra - chego a ser completamente a favor e incentivadora - do fator QI, ou quem indica.

Calma, explico:

Em uma seleção por um cargo, qualquer pessoa pode criar um curriculo invejável, mas são os relacionamentos - ou referências - profissionais e a cadeia de contatos que esta pessoa conseguiu desenvolver durante a vida - o que vale também para jovens aprendizes que criam esse relacionamento com professores do colegial e colegas nos trabalhos em grupo - é que vai determinar a possibilidade de bom desempenho.

Deixemos a hipocrisia de lado: se alguém que você tem confiança profissional pede que você entreviste um fulano, por mais que seu currículo não seja o melhor do mundo, o simples fato de ter sido indicado lhe dá o crédito de respeito e confiabilidade.

E dificilmente uma pessoa pede "apadrinhamento" sendo completamente incapaz, e ninguém em sã consciência irá arriscar sua reputação encaminhando pessoas incompetentes levando seu nome junto.

Um profissional que tenha sido indicado para uma vaga não é mais ou menos competente do que alguém "aleatório". Entretanto espera-se que, por ter sua entrada avalisada por outra pessoa, se busque provar sua competência, superar-se, fazer valer a pena. Do contrário, não será capaz dereceber uma segunda indicação caso seja dispensado pelo trabalho relapso consequência de uma sensação de que não precisa se esforçar.

Nepotismo já é diferente. Empregar alguém só porque é da família pode ser um tiro pela culatra, mas se seu primo é competente, sua filha tem as habilidades que você precisa, sua esposa é excelente naquela função, olhemos com critério se seria humanamente prudente arriscar uma contratação de alguém desconhecido só porque tem um diploma "pesado" e dispensar uma pessoa de confiança, que entende seus objetivos e valores, sabe da importância do trabalho.

O QI, no sentido de relacionamento, networking, é positivo tanto para as empresas (já que dá uma melhor margem de confiança) quanto para a pessoa (pois afirma a sua boa índole e capacidade de multiplicação de canais de comunicação).
A indicação - e reitero que para a seleção! - deve ser usada apenas como uma chave, mas quem conseguirá abrir e passar pela porta do sucesso é a pessoa. Por isso o interesse e o empenho é que serão determinantes na contratação. Nisso o candidato "aleatório" pode estar extremamente superior.


Portanto, querendo ser um bom profissional, jamais deixe-se acomodar sendo apenas competente pra si mesmo. E nunca permita que as pessoas o ignorem. Faça-se notar, mantenha boa comunicação, atualize-se e se interesse pelo trabalho dos outros, pra que haja uma reciprocidade. Não por interesse, mas por sobrevivência. Mas esse já é outro tópico...