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domingo, 21 de julho de 2024

pão é pão

 pão será sempre pão. dependendo do contexto histórico, uma receita diferente. conforme o país, um nome específico. dependendo da família, um jeito de ser consumido. mas pão será sempre pão.

e isso não é sobre pão.

responder à pergunta "qual é sua religião" me trazia uma série de questionamentos internos. e antes que atirem a primeira pedra ou comecem as pregações, isso não é uma discussão sobre credos.

eu nasci num contexto bem sincrético. batizada católica e sempre às voltas com grupos de oração, meu lugar favorito no mundo era a biblioteca cheia de símbolos e livros místicos da minha madrinha, e amava passar as férias ouvindo meu avô que era médium espírita. filmes de bruxaria e ocultismo eram documentários com licença poética e não mero entretenimento. minhas edições favoritas da Superinteresante eram as de civilizações antigas e seus cultos sobrenaturais. traduzi um livro de umbanda. na minha mesa tem cristais e um buda, e na entrada do escritório ficam o anjinho da guarda e um filtro dos sonhos. já recitei o terço mentalizando "ohm" ao invés de ave-maria. "Alice dentro do espelho" me mostrou a face de Deus no Tempo. eu plantei a lua como um pedido à Gaia para engravidar (e funcionou de primeira). minha feminismo luta por equidade por causa de uma PhD em comida. minhas melhores clientes são evangélicas. já convenci ateus de que o Algoritmo do Universo é que rege cada milagre das nossas vidas. 

mas minha espiritualidade nunca foi dúbia. desde o útero (ou talvez muito antes, dependendo de como você acredita), minha mãe me apresentou o Movimento Focolare. cresci vendo como Chiara Lubich traduziu sua fé dentro da sua expertise acadêmica e construiu discursos, estudos e palestras - além de amizades com grandes líderes das mais diversas denominações religiosas - que traziam o tema Unidade num diálogo construtivo e convergente. na minha cabeça, era mera questão de idioma que nos afastava por causa de interpretações proféticas. literalmente, era apenas o idioma que causava ruído. era absolutamente normal ouvir um africano explicar sobre como professava sua fé e vivia o divino, na mesma mesa que um inglês luterano ou um japonês xantoísta. as diferenças de crença eram meras diferenças de idioma, que tinham sua própria expressão e linguagem, representações e entendimentos. mas todo mundo falava da mesmíssima coisa: somos um com o todo.

daí pra eu me apaixonar por todo tema que envolva linguagens e como usá-la de forma a arrebatar seu público - de seitas religiosas a marcas capitalistas - foi natural. Os vocábulos e simbolismos podem variar - e é isso que vai determinar quem vai te seguir ou te repelir. meu trabalho como estrategista de comunicação é exatamente encontrar qual é o seu brilho, como o sagrado se manifesta em você e traduzir isso pra sua audiência.

então o que era sobre pão, agora você entendeu que não é sobre religião. mas sobra comunicação - que é, etimologicamente, a ação de transformar juntos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Banco de três pernas não manca

Essa curiosidade era mera coincidência de design quando era criança, já que sendo 3 irmãos, meu pai sempre construía nossos cantinhos de brincar em trios e era mais prático de montar e improvisar.
A medida em que o universo e a consciência iam se expandindo, comecei a notar que a trinca é uma regra de equilíbrio em várias ocasiões: as divindades trinas, os tripés de alguma teoria de gestão, as maiores empresas são fundadas por um trio...

Há mais de um ano meu marido e eu resolvemos aproveitar que ambos estávamos desempregados desimpedidos profissionalmente pra nos dedicarmos ao nosso sonho de hospitalidade. E na estruturação acabamos percebendo que as reuniões com cliente sempre fluiam melhor em 3. Eu, ele e o cliente, ou um de nós e o casal que iríamos trabalhar. Com 4, dispersávamos, com 2, ficavam dúvidas.

Achei num dos meus (milhares) de cadernos de aleatoriedades um rabisco de uma oficina de pensamento com a Mandalah, que culminou num brainstorming individual de que quando temos 3 apoios o equilíbrio acaba sendo mais fácil do que uma dupla que não pára em pé ou uma turma desnivelada. E pensei de novo: banco de três pernas não manca.
Um casamento que se evolui com um filho, ou num trabalho conjunto, ou na espiritualidade. Sócios que tem na secretária seu ponto de orientação, ou naquele venture pra quem precisam prestar contas e por isso os força a manter o plano ou se adaptar da melhor forma possível. Aquela amiga sincera que vai desempatar uma discussão improdutiva. 'tendeu?

- Ah, então é só colocar alguém no meio que dá certo!

Claro que não! Se não puderem confiar mutuamente nesses 3 pilares, vai todo mundo pro chão, né! E tem vários textos desses motivacionais, sem mencionar as diversas teorias de administração, marketing, RH, finanças que se apoiam em trígonos.

É nítido pra quem tem o mínimo de sensibilidade a grande mudança na forma como nos relacionamos coletivamente. Os negócios mudaram, a forma de consumo mudou, e como nos comunicamos e compartilhamso então! Pela numerologia, "após a individualidade e a união, surge a interação. É o frutificar, é a expansão".


quinta-feira, 5 de junho de 2014

De ser superior

Ser, então, o melhor dos piores, ou o pior dos melhores?
Certamente que, tendo a maioria em nível superior ao meu, tenho parâmetros de assenção e metas de aprendizado.
Entretanto, se me é posta a situação de ser eu o ponto máximo da média, me é concedida aí a graça de estar em mim a luz orientadora e reconfortante.
Estar na base inferior de uma camada superior por vezes só me foi inspirada a inveja e a cobiça, pela soberba de me considerar apta àquele patamar.
Por outro lado, ao me encontrar em situação de alguma vantagem me foi despertada com maior alegria e perenidade, além da responsabilidade de "cuidar" daquele grupo, a umildade em servir e elevar o grupo compartilhando experiências e instiganto insights da própria consciência daquele que me tem como superior. E por causa desse sentimento concreto de zelo e incentivo, o crescimento do outro não causa qualquer inveja, pelo contrário, o júbilo de perceber que minha "superioridade", na realidade, é apenas inspiracional, e a cada um cabe certa evolução ao seu tempo, se catalisada por ações e atitudes positivas de todo o grupo.