Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

meu coração é de pedra...

mas se engana quem me vê como fria e dura.

sustento, conduzo, enobreço.

me lasco, esfarelo, despedaço.

por mim permeia a liquidez da vida. sou filtro de tanta coisa que as vezes nem se notam as águas que de mim brotam. brilho, mas não sou de enganar tolos. na verdade, meu valor não está em mim, mas pr'aquilo que sirvo.

só sou no outro. senão, apenas poeira. de estrelas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Coroações

Em pleno século XXI e com revoluções sociais globais profundas, ainda tem concurso de beleza em que as "modelos" mal conseguem articular frases inteiras e se exibem em trajes de luxo e de banho...

Modelo pra mim é aquela mulher que acorda cedo e sorri ao trocar um carinho de bom dia com quem estiver ao lado dela na cama - o marido, a companheira, o filho ou o bichinho de estimação já que ela escolheu morar sozinha - que consegue se alimentar com tranquilidade e equilíbrio, e tem a disciplina de se exercitar com parcimônia só pra acordar o corpo. Que enfrenta trânsito com educação, que cede lugar pra quem precisa - idoso e grávida, mas também aquela criancinha que mal equilibra no ônibus, o cara que tenta ler surfando no corredor, o turista acotovelado. Que no trabalho é respeitada pelo seu carisma, e ninguém a julga pela aparência baseada nos padrões estéticos das revistas de moda, e que é reconhecida e valorizada pela sua competência técnica e humana. Que recebe elogio sincero e pode contar com as críticas que a lapidam pra melhor. Que não precisa engolir choro porque é compreendida pela sua natureza, e exatamente por isso se expressa de forma mais forte, poética, clara. Que não precisa ter medo de ter seus direitos de ir e vir violentados. Que vai tomar todas com as amigas se tiver vontade, porque sabe das responsabilidades que tem e não sente o mundo sobre as suas costas por causa delas. Que sabe que gentileza e cavalheirismo não tem nada a ver com o que você tem no meio das pernas.

Miss pode ser homem também. E nem vou entrar no mérito daqueles homens que também sofrem com o machismo por não serem machos alfa - vítimas equânimes de padrões estéticos e comportamentais da mídia. É aquele cara que preferiu estudar a ir pra balada a semana inteira e na véspera do exame dormiu bem pra estar tranquilo. É o cara que sabe que se homem chora é mais humano e menos babaca. Que tira vantagem de ser fisicamente mais forte pra ajudar quem não é. É aquele pai "herói" que não só "ajuda", mas é pai junto que educa em parceria e pra vida toda, mesmo não morando mais junto. É o cara que até faz chacota mas com aquele brother meio cérebro que ainda acha que homem tem que ser ogrão e pegador tentando tirar sarro quando negou convite pro happy hour pra ficar em casa com a esposa que tava tristinha ao telefone. Que pode até elogiar físicamente alguém, mas o faz pra que ela, e só ela ouça e não pra impor seus desejos, e respeita negativas em qualquer grau. Que ouve e debate pelas idéias em si, e usa as diferenças pra melhorar coletivamente as coisas. Que usa seu papel mais desenvolto na sociedade pra garantir que todos o tenham.É o cara que sabe que feminismo é a luta por direito de ser gente, e não de supremacia da mulher, e encoraja isso nas amigas e exige isso dos amigos.

Modelo é aquela pessoa que você nem conhece, mas só de alguém contar pra você sobre, te vem ao pensamento quando você quer fazer uma coisa boa, simples e verdadeira e tem medo de ser julgada, aí você respira fundo, abre o sorriso e enfrenta o mundo. É aquela pessoa que certamente lida com problemas de auto estima, que tem angústias, que ainda não realizou vários sonhos, mas que se olha no espelho e dá mais atenção ao brilho dos olhos do que alguns centímetros fora do manequim de revista. Pra carregar uma coroa tem que ter a cabeça erguida pela coragem de fazer sempre o seu melhor, braços graciosos pra abraçar quem precisa, barriga "no lugar" porque ali é o chacra de coragem, e não um mero músculo a ser malhado à exaustão, que tem pernas firmes pra aguentar as pedras do caminho independente do tônus estético, que anda com segurança e peito aberto porque é bem vinda e bem quista. Que abre o sorriso e ilumina o ambiente e ao abrir a boca não fere.

Esses concursos deviam apelar pra pessoas que saibam o que significa desejar a paz mundial. Que sejam lindas sem forçar a barra ou quilos de maquiagem e laquê. Que sejam soberanas em empatia, em representatividade, em exemplo de humanidade e gentileza.

E sei que pouca gente tem a capacidade de reivindicar essa coroa sem hesitar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Socorro

Primeira semana de Olimpíadas. Hospital público no centro da cidade, colado na Central.
10:30 de uma terça - estatísticamente o dia de maior movimento para cobrir retardatários de um fim de semana extendido...

Não tinha cadeira pra remoção e não pode entrar com acompanhante se estiver consciente, então tive que ir pulando até a triagem até que apareceu um maqueiro mais franzino que eu com uma cadeira de roda manca, e foi me puxando de costas.
- Oi Dr. Tive um acidente de moto trabalhando, e quebrei o pé, esfolei joelho, luxei o punho....
- Raio X no terceiro andar pelo corredor amarelo no fim daquele ali a direita...
Lá vou eu puxada de costas pelo maqueiro magricela.
1h45 depois, enquanto passava outro maqueiro truculento arrastando 2 macas ao mesmo tempo perguntando cadê o equipamento padrão olímpico pra uma médica de plantão há 40h, sou chamada pra radiografia. O único aparelho que estava funcionando no hospital inteiro era operado por 1 residente e 3 alunos "tomando nota no celular" ao canto. Com mãos de borboleta - delicadas e muito ágeis - em 5min ela tinha feito 7 chapas em posições diferentes. Esperei mais uns 40min até que o ortopedista me chamou. A cadeira de remoção não entrava na sala, que tem um degrau, então ele me examinou no corredor mesmo, colocando a radiografia contra a luz do saguão.
- Moça, vai lá sala dooutro corredor e pede pra fazerem engessarem até o joelho.
- Ok, mas e o punho?
- Cê tá mexendo a mão. Não quebrou nada não.
Como os enfermeiros estavam almoçando, ficamos eu e mais meia dúzia de gente esperando no corredor. Chamaram 3 pacientes de uma vez, sentamos lado a lado na maca e o professor de enfermagem dava as instruções para a aula prática que estava acontecendo ali. A enfermeira-aluna enrolou no meu pé com 2,5kg de gesso com um acabamento lindo, mas sem posicionar meu pé certo nem se dar conta das pontas de osso, quanto mais considerar inchaços, deslocamentos, tato...
- Onde eu consigo muletas pelo SUS?
- Ih, minha filha, tem náum, hein...
- Posso chamar um Uber e pedir pra ele entrar aqui no estacionamento pra me apanhar?
- Aqui dentro só entra ambulância. Tem o ponto de ônibus ali também ó!
(Sério? De gesso e sem muleta?)

5 dias após a fratura, domingão a tarde, volto no mesmo hospital. Com o punho estourado de insistir nas muletas ganhadas de uma amiga.
- Doutor, meus dedos estão esntrangulados no gesso, além de parestesia e hematomas apareceram...
- Não posso trocar o gesso, é parte do tratamento indicado por outro médico, não posso interferir.
- (!!!) Hum...

Arrumei uma bota emprestada. Arranquei o gesso no chuveiro. Olha, se eu fosse esperar os 45 dias podia era amputar de uma vez... No ambulatório do bairro, marcaram minha primeira consulta com a ortopedia pra daqui a 3 meses, pra ver se posso tirar o gesso... (que eu tenho que tirar dali a 37 dias...)

Primeira semana pós Olimpíadas, num outro hospital municipal só que no metro² mais caro do Brasil.
16h de uma quinta, inexplicávelmente o dia de pior trânsito na cidade.
- Moço, fraturei há um tempo, tava gangrenando de tão apertado, coloquei a bota por conta própria mas sei que não está correto.
- Hum, dói aqui? Como está aqui? Hum, ok, passa por aqui pra não precisar dar a volta, que o ortopedista vai te atender.
20min de espera, e me chama um resitende. Examina, aperta, explica, pede radiografia.
Meu marido me acompanhao tempo todo e quase não tive tempo de tomar o cafézinho que vendem na lanchonete no saguão interno, me chama uma aluna de radiologia.
(pronto, lá vou eu de cobaia pra aula prática)
- O posicionamento correto é dessa forma, estão vendo? as Alunas podem tentar fazer da sua mão, que o médico pediu pra ver se houve fratura por stress?
A moça pede pro supervisor e conferir os resultados antes de me entregar. O ortopedista do novo turno pede outro gesso, passa encaminhamento de tratamento ambulatorial, maridinho pode ir marcar pra eu não precisar ir até lá do outro lado só pra um protocolo. Vários chumassinhos de algodão protegendo meus ossinhos, o enfermeiro me dei a ponta da faixa pra sustentar o ângulo certo.
- Oh, gelo aí nesse punho, e repouso. 30 dias!

E há quem diga que não existe bairrismo no Rio de Janeiro!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Disciplina

Estou adorando a sequência de reportagens relacionando a rotina de exercícios físicos com o desempenho profissional. Eu já tinha cantado essa pedra ainda na graduação, porque sentia na pele - e no corpo - os efeitos benéficos da disciplina de qualquer esporte.

Meus pais só nos exigiam 3 coisas: dormir cedo, comer no horário certo e fazer um esporte. As notas altas e a responsabilidade eram consequência. Cada um na sua área - eu sou consultora e fazia ballet, meu irmão engenheiro e judoca, e minha irmã é tradutora e jogava basquete - o esporte nos deu auto consciência, senso de coletividade, desenvolveu concentração, além, claro, do desenvolvimento fisiológico, motor e cognitivo.

A reportagem exibida ontem foi um alívio entre as tensões de política.
A endorfina que qualquer atividade física libera age numa verdadeira alquimia positiva no corpo, melhorando aspectos fisiológicos e psicológicos, principalmente. A tomada de decisões, mencionada na entrevista, é mais ágil porque corpo e mente já estão acostumados a "arrancadas", agilidade e concentração, motivadas pela atividade.

Corrida, dança, luta, natação, pedal, bater bola, yoga, surf, paddle, trekking, musculação, pilates.
E aí, já escolheu a sua hoje?

terça-feira, 5 de junho de 2012

Miss quem?

Longe de querer bancar a feminista, e também nada a favor de mulherões dominando a mídia.

Sou facinada pela estética, como todo ser humano. Admiro em todas as esferas a magia criada pela combinação de cores, formas, texturas. E com a imagem pessoal, não poderia deixar de ser diferente.

Estética é bom, sim. Mas com (vááárias) ressalvas.

Num artigo publicado na coluna Mulheres 7x7 a apresentação de um documentário chamado Miss Representation, que brinca com "má representação" X "garota representante", fala sobre o exagero da valorização da imagem, que deixa em segundo plano (quando não desconsidera completamente) o conteúdo de uma pessoa.

A presidenta Dilma não ficou menos ou mais inteligente por ter mudado de aparência. Mas sem dúvida se tornou mais notada, agradável aos olhos e simpática com a transformação.

Nas empresas, algumas vagas são anunciadas com o item "boa aparência". Já me vi criticando esses anúncios, até chegar a uma recepcionista completamente descabelada, unhas por fazer com eslamte descascando, e olheiras emolduradas por uma pele que parecia escorrer de oleosidade, e que tinha tirado os sapatos sob o balcão de atendimento. Aí pude entender a importância daquilo.

Não podemos permitir que as pessoas sejam valorizadas apenas pelo esteriótipo. Tão asqueroso quanto uma pessoa mal-trajada, desleixada e sem cuidados com a higiene pessoal, é uma menina linda, "gostosona", de tailler caríssimo mas que fala errado, é grossa, vulgar, alienada.

A imagem deve ser valorizada num conjunto. Já li textos que cruzaram dados sobre fisionomia e inteligência, e ficou provado que pessoas simpáticas, bem humoradas e com facilidade em articular são mais agradáveis aos olhos. Ou seja: seu comportamento o faz mais bonito.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Beleza põe a mesa, sim!

Vendedores bonitos vendem muito mais!

É com essa frase que o Automatizando anuncia seu post, que pode até causar polêmica, mas que se formos pensar sem hipocrisia, é a mais pura verdade!

Sim, eu prefiro a mocinha arrumadinha que teve a preocupação de pentear o cabelo, pasar um lápis no olho e um hidratante nos braços antes de ir pro trabalho, que mantém a roupa limpa e no tamanho adequado, do que aquele ser estranho que nunca fez a sobrancelha, o esmalte está descascando e acha interessante usar a calça 4 numeros a menos com uma camiseta amarrotada.

Por outro lado, se um vendedor lindíssimo, de deixar Pierce Brosnam com cara de patino feio, vier me atender com cara de sono, nem adianta tanta beleza se não for prestativo e atencioso. Aí eu prefiro a feinha desarrumada mas que ficou o tempo todo ali por perto, mas sem me sufocar...

Não precisa ser um galã pra ser bom vendedor. Beleza é muito mais uma questão de cuidado com a própria imagem, higiene e postura do que fisionomia ou manequim. Uma pessoa de aparência comum, mas simpática é muito mais atraente do que uma modelo carrancuda. De alguma forma sua imagem pessoal precisa seduzir as pessoas. É isso que gera uma venda, concretiza um negócio, atrai atenção.

Cuidado com os excessos! Falta de zelo ou excesso de conteúdo tem um efeito igualmente repulsivo!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Desafio físico: recompensa mental

Nessa semana eu tenho tido, digamos, tempo ocioso suficiente pra navegar, ler e clicar em todo ink que me interesse.

Até eu receber um retuite de um Desafio de corrida, que me fez lembrar do meu trabalho de conclusão de curso.

Formei em Secretariado, mas como bailarina desde os 4 aninhos, não poderia resistir e acabei falando sobre a importância da prática de atividades físicas e o condicionamento físico para um melhor desempenho no trabalho praticamente sedentário de escritórios.

Me mudei pra São Paulo em Janeiro, e com muita satisfação eu via algumas pessoas pedalando para o trabalho. Eu tinha que sair de casa com pelo menos 1 hora de antecedência do meu início de um estágio, caminhar até a estação de trem, atravessar uma estação inteira pra pegar outro metrô, subir uma ladeirinha ou pegar um ônibus pra chegar no escritório, ainda com sono, já cansada de tanto ver gente de cara amarrada ou amassada de sono mesmo. Pedalando, eu saia de casa 30 minutos antes, conseguia ouvir o rádio sem a interferência dos ruídos de metal dos trilhos, chegava lá bem disposta, com o corpo ativo e a mente já funcionando, me arrumava enquanto o computador ligava, além de não precisar pagar academia pra manter a forma.

"Mas é porque você é descolada, né. Nem todo lugar dá pra pedalar". Tem gente que faz por necessidade, por hábito, por praticidade. Eu faço por tudo isso.

O simples fato de sair de casa, estar ao ar livre, movimentar o corpo, faz com que a circulação do sangue seja mais intensa, e sua percepção sensorial pode colaborar muito pra o desenvolvimento de uma sensibilidade maior, podendo conseguir interagir com o meio mais facilmente.

Sim! Andar pelo parque depois de um dia estressante faz você respirar fundo, raciocinar com calma sobre o que aconteceu naquele dia, pensar melhor sobre o que deve ser feito, e o fato de seu corpo estar em movimento liberando substâncias naturais na sua circulação otimizam o raciocínio!

Outro benefício é a disciplina que é criada com a prática de alguma atividade, além do auto-conhecimento. Conhecer seu corpo, suas reações, enfrentar desafios e ter garra para superá-los são formas de você estar psicologicamente preparado para as situações de pressão, cobrança e delicadas do cotidiano.

Mas o mais importante, é fazer de qualquer exercício um momento de lazer, de relaxamento, que, mesmo com o cansaço físico, te dê prazer em fazê-lo.