Nos últimos anos eu venho me dedicando a estudar as formas de comunicação corporativa: pelo material impresso, pela publicidade, por envolvimento em programas culturais ou sociais, pela forma como seus funcionários se comportam frente ao mercado, pela interação direta em eventos ou pelo simples patrocínio a qualquer causa.
E, como sempre estive ligada ao mundo esportivo - aos bastidores, claro - é de praxe acompanhar toda a evolução das obras da Copa e Olimíadas conhecendo tanto o mundo dos megaeventos quanto o jeitinho brasileiro que milagrosamente consegue fazer com que as coisas (aparentemente) funcionem de algum modo. Com o deadline cada vez mais próximo, a situação é cada vez mais crítica se observarmos as notas rápidas - e igualmente tão rapidamente abafadas - em relação aos imprevistos, interdições, retardos de cronograma e necessidades de mudança no projeto, as declarações de mídia manipuladas pelos órgãos interessados em fazer dos megaeventos uma prova de que o Brasil é mais do que carnaval me deixam, no mínimo, intrigada.
No começo de março, o assunto era o atraso das obras. Aí, dias depois, declaram que 92% do Maraca já estavam prontos (!!!). Em seguida, anunciam a interdição do Engenhão por erro de cálculo na estrutura. E então me deparo com uma manchete que retrocede o status dessas obras a 25%, mesmo com o jogo-teste no Maracanã agendado e mantido, apesar de nitidamente inacabado...
Ainda sim, entre perdas financeiras, especulações de falência e socorro estatal, o Eike quer ser dono do que nosso parco dinheirinho financiou - e nem vamos entrar no mérito dos superfaturamentos e revisões de projetos extrahonerosas...) Quem vive no mundo dos negócios e dos acordos, sabe muito bem que a estratégia para engajar de cara a recém criada IMX vai ser o trampolim para recuperação do conglomerado, mas a qual preço para o poder público? Vamos falar mais claro: alguém se candidata a calcular quanto do seu salário sai de impostos e o quanto você realmente vai poder usufruir disso, sendo obrigação do tomador da verba retornar serviço a altura do valor pago?
E quem realmente VIVE nas cidades que receberão a Copa e as Olimpíadas, fica se perguntando: aonde, afinal, estão indo os zilhões de reais teoricamente destinados às obras de revitalização de áreas urbanas e adequação de infra-estrutura pública? Ah, sim, deve ser só pra maquiagem maravilha, enquanto o real problema será agravado com os elefantes brancos que o Brasil não tem planejamento adequado pra usar (leia-se, cadê os incentivos ao esporte divulgados em campanhas eleitorais?)...
Sinceramente, tudo o que venho estudando sobre branding tem me despertado uma atenção aguçada sobre como as empresas tratam seus produtos e estratégias. Mas sinceramente, a marca Brasil ainda está muito confusa em toda a sua concepção... Pelo menos pra quem tem vivido dentro dela...
domingo, 28 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Da inocência de ser simples
Quando éramos crianças, tudo nos era
possível. Mas quanto mais o tempo passava, mais "não pode" ouviamos do
relação as traquinagens, algumas cicatrizes de travessuras começaram a
reprimir alguns impulsos aventureiros, os castigos pelos nossos erros
nos boicotaram a imaginação e se instaurava então a ditadura do
acerto, do prevenir-se, do medo de não conseguir.
Me dei conta de que ser adulto é abrir mão justamente daquilo que nos encanta tanto nas crianças: a inocência de que nada é complicado, proibido, ridículo.
Tudo bem que os pequenos estão descobrindo o mundo que nos já desvendamos e até aprendemos a manipular. Mas será mesmo que isso realmente nos torna mais evoluídos? Não perdemos o vislumbramento necessário à vida, à criatividade, ao medo bom que nos faz prudentes mas destemidos, que com a visão simples, pura, inocente as crianças vêem um mundo de possibilidades que nossos traumas, tombos e erros de adulto já não nos permite mais enxergar?
Nesse feriado peguei uns vídeos de quando éramos crianças. Minha cena favorita é da caçula ainda engatinhando imitando meu avô ao pegar minha vassourinha e ir arrastar a cobra-cega que minutos antes ele enxotara de volta pra horta. Uma amiga exclamou "que absurdo, falta de responsabilidade! Se pica a menina, ela adoece!" e aí me dei conta do quanto somos fragilizados e vemos perigo nos mais inocentes gestos. Naquela cena, até bem pouco tempo, eu só conseguia notar um avô que não proibiu a neta de brincar, olhando e cuidando de longe, pois seria excesso de zelo não lhe permitir descobertas por suas próprias experiências.
Tenho sentido que, como adultos, temos nos permitido muito pouco do termos de risco. E ainda chamamos isso de experiência... Mas o que realmente acontece é deixarmos de agir porque já viveu algo parecido, porque fulano já passou por isso, porque podem te chamar de sei lá o que, porque... Por que?
A vida não é deja vu, pode ser que com você dê certo, que aquele detalhe que pôs tudo a perder antes agora faça tudo funcionar, que a idéia que você faz de um fato não é bem a realidade, que aquela situação tenha fatores alheios a sua vontade ou compreensão que farão tudo dar certo.
Lembro que quando brincávamos com as outras crianças da rua, nos desafiávamos a superar uns aos outros, e quando alguém fazia a mesma coisa de um jeito diferente, se tornava o maioral da turma! E nem precisava se dar tão bem assim! Hoje nos esforçamos pra definir padrões de comportamente e tem quem se apavore a simples idéia de transgredir regras ou inovar - mesmo quando é necessário. Onde foi parar nossa inner voice que nos transformava em heróis de nos mesmos e nos inspirava a descobrir o mundo com uma curiosidade insaciável, e nos fazia brincar displicentemente sem hora ou lugar, regras ou limites?
Explico a foto: pesávamos pouco menos de 20kg. Sim, mamãe nos pesava e media e anotava tudo, e sempre nos dispertava a curiosidade com aquela mudança e a diferença um pro outro. Daí, quando começou a reforma de casa, a lata de 20L era uma associação óbvia! Usar essas distrações de descobertas como ganha-tempo pra lavar e pendurar as fraldas (ufa! somos 3 de 86 a 89) só foi possível porque meus pais preservaram essa inocência de constante descoberta, e redescobriram isso com a gente! Hoje brinco de cenógrafa, ele se tornou engenheiro e ela se descobriu na arquitetura. Tudo se encaixa! Hahaha!
Me dei conta de que ser adulto é abrir mão justamente daquilo que nos encanta tanto nas crianças: a inocência de que nada é complicado, proibido, ridículo.
Tudo bem que os pequenos estão descobrindo o mundo que nos já desvendamos e até aprendemos a manipular. Mas será mesmo que isso realmente nos torna mais evoluídos? Não perdemos o vislumbramento necessário à vida, à criatividade, ao medo bom que nos faz prudentes mas destemidos, que com a visão simples, pura, inocente as crianças vêem um mundo de possibilidades que nossos traumas, tombos e erros de adulto já não nos permite mais enxergar?
Nesse feriado peguei uns vídeos de quando éramos crianças. Minha cena favorita é da caçula ainda engatinhando imitando meu avô ao pegar minha vassourinha e ir arrastar a cobra-cega que minutos antes ele enxotara de volta pra horta. Uma amiga exclamou "que absurdo, falta de responsabilidade! Se pica a menina, ela adoece!" e aí me dei conta do quanto somos fragilizados e vemos perigo nos mais inocentes gestos. Naquela cena, até bem pouco tempo, eu só conseguia notar um avô que não proibiu a neta de brincar, olhando e cuidando de longe, pois seria excesso de zelo não lhe permitir descobertas por suas próprias experiências.
Tenho sentido que, como adultos, temos nos permitido muito pouco do termos de risco. E ainda chamamos isso de experiência... Mas o que realmente acontece é deixarmos de agir porque já viveu algo parecido, porque fulano já passou por isso, porque podem te chamar de sei lá o que, porque... Por que?
A vida não é deja vu, pode ser que com você dê certo, que aquele detalhe que pôs tudo a perder antes agora faça tudo funcionar, que a idéia que você faz de um fato não é bem a realidade, que aquela situação tenha fatores alheios a sua vontade ou compreensão que farão tudo dar certo.
Lembro que quando brincávamos com as outras crianças da rua, nos desafiávamos a superar uns aos outros, e quando alguém fazia a mesma coisa de um jeito diferente, se tornava o maioral da turma! E nem precisava se dar tão bem assim! Hoje nos esforçamos pra definir padrões de comportamente e tem quem se apavore a simples idéia de transgredir regras ou inovar - mesmo quando é necessário. Onde foi parar nossa inner voice que nos transformava em heróis de nos mesmos e nos inspirava a descobrir o mundo com uma curiosidade insaciável, e nos fazia brincar displicentemente sem hora ou lugar, regras ou limites?
Explico a foto: pesávamos pouco menos de 20kg. Sim, mamãe nos pesava e media e anotava tudo, e sempre nos dispertava a curiosidade com aquela mudança e a diferença um pro outro. Daí, quando começou a reforma de casa, a lata de 20L era uma associação óbvia! Usar essas distrações de descobertas como ganha-tempo pra lavar e pendurar as fraldas (ufa! somos 3 de 86 a 89) só foi possível porque meus pais preservaram essa inocência de constante descoberta, e redescobriram isso com a gente! Hoje brinco de cenógrafa, ele se tornou engenheiro e ela se descobriu na arquitetura. Tudo se encaixa! Hahaha!
Lembrei muito da minha amiga JuBaron. A conheci num momento de auto-reencontro maravilhoso, e não houve um único dia essa semana em que não pensasse como isso deve ser mais intenso quando se tem um filho. Ou lembrando da doce Pepina, que fazia arte com a filhota e às vezes era difícil não se divertir como se fossem ambas criancinhas... Escutar a Flavinha se espantando com filmagens da infância que dispensaram o retorno ao psicólogo, e da Bia e a Nai contando com um sorriso imenso - não com saudade, mas nostalgia autêntica e viva - das molecagens do colégio... E ainda as tardes risonhas no colo do namorado confessando vontades infantis - mas ainda vivas! - que quase se perdem nas obrigações da vida de adulto...
Poder perceber novamente o mundo pelos olhos da inocência, da simplicidade, se deixar afetar e maravilhar com o menor detalhe é um milagre que acontece o tempo todo...
Poder perceber novamente o mundo pelos olhos da inocência, da simplicidade, se deixar afetar e maravilhar com o menor detalhe é um milagre que acontece o tempo todo...
Seus olhos estão abertos e iluminados o bastante pra enxergar?
=)
sábado, 23 de março de 2013
Síndrome de Urtigão
Lendo um dos blogs que leio fielmente sempre, fiquei encasquetada com o "sutil" comentário sobre a baixa auto estima que alguns insistem do manter como seu estandarte mais vigoroso! Parece uma incoerência - e de fato é - que alguém enalteça e se apegue tanto a sua inferioridade.
É claro que eu também tenho minhas lamentações, me queixo da vida, desanimo. Mas me rebaixar pra que tenham piedade de mim é ultrapassar o limite da auto indulgência. Se for pra expor um problema, que seja pra contextualizar o motivo que você pede ajuda, não pra transferir a responsabilidade da sua causa e solução.
Anos atrás uma senhora puxou assunto no ônibus depois de um pedinte mal trapilho passar com a latinha de moedas suplicando um trocado: piedade não vale nada. (e ao perceber meu olhar de "oi?" ela continua) venda alguma coisa, que seja uma caneta bic, um talento pra poesia, no mínimo um sorriso, algo que acrescente ao mundo, mas nunca venda o sentimento de piedade.
No trabalho já tive que conviver com pessoas que passavam o dia reclamando, com cara de esgotamento, descabeladas e corcundas, arrastando os pés, mas era dar 6 horas já estava toda serelepe pra ir pra balada. Eu entendo que nem sempre a gente acorda com a melhor das inspirações, que nossa rotina diária não seja a mais prazerosa e tranquila, mas comece a observar como duas pessoas numa condição social semelhante, da mesma empresa, com cargos idênticos tem uma alegria de viver diferentes porque não lamentam e fazem do que tem o melhor possível. Um cobrador de ônibus que insiste em dar bom dia pros passageiros impede que o mau humor matinal seja maciço dentro do ônibus, enquanto no carro ao lado um outro cobrador só faz o dia mais carrancudo e ainda briga com o colega por tê-lo acordado 5 minutos mais cedo, que ele nem gosta do pão da padaria da esquina que o colega sorridente pagou. Poham, os dois devem ser vizinhos, o primeiro deve ter convidado o outro pra passar na padoca, tá aí sorrindo e o segundo reclamando da gentileza? Tá esperando uma bandeja na cama e um bilhete gentil do chefe que não tem pressa de chegar no trabalho? É essa atitude de constante insatisfação que me incomoda. Onde estão as orações matinais de "agradeço pela vida, e me encoraja a fazer do pouco que tenho o melhor que posso oferecer, pra que o sorriso de gratidão me seja sinal da Sua graça".
Desde que aquela senhora me falou sobre piedade, passei a eliminar esse sentimento da minha vida. Amo aqueles que fazem das dificuldades um desafio, e simplesmente ignoro os que persistem em se lamentar e se rebaixar. Competir em nível de desgraça, então, é abominável. "Cara, que sono, fui dormir tarde ontem fazendo faxina" "Ih, nem te conto que lá do casa nem faxina deu pra fazer, tava com a ernia atacada, não sobrou dinheiro pro detergente, meu marido fez hora extra e ainda me pediu pra esquentar comida, e a mulher do salão ainda errou o tom das luzes! Eu é que tô um caco!" (desculpa, era pra eu ficar com dó do que mesmo?)
***
Atualizando: é muito irônico ler esse texto hoje, véspera de Copa, originalmente escrito no celular enquanto cruzava o serpenteado do Joá completamente engarrafado em maio de 2013, com um motorista mucho loco às 6h da manhã me equilibrando no salto já que o máximo da gentileza que cabia ali era alguém segurar minha bolsa. De lá pra cá, a necessidade de não engolir sapo, mas de expor eventuais insatisfações cotidianas pra conseguir dissecá-las. Aos poucos você acaba se vendo na mesma relação de rebaixamento pela impotência que nos vemos em algumas situações.
Mas será que é mesmo impotência, ou esse comodismo covarde de nos obrigarmos a aceitar situações degradantes, ao invés de olhar pra cima e lidar com elas de forma leve e positiva, ou mudar todo o cenário?
Fica a reflexão, eterna reflexão...
É claro que eu também tenho minhas lamentações, me queixo da vida, desanimo. Mas me rebaixar pra que tenham piedade de mim é ultrapassar o limite da auto indulgência. Se for pra expor um problema, que seja pra contextualizar o motivo que você pede ajuda, não pra transferir a responsabilidade da sua causa e solução.
Anos atrás uma senhora puxou assunto no ônibus depois de um pedinte mal trapilho passar com a latinha de moedas suplicando um trocado: piedade não vale nada. (e ao perceber meu olhar de "oi?" ela continua) venda alguma coisa, que seja uma caneta bic, um talento pra poesia, no mínimo um sorriso, algo que acrescente ao mundo, mas nunca venda o sentimento de piedade.
No trabalho já tive que conviver com pessoas que passavam o dia reclamando, com cara de esgotamento, descabeladas e corcundas, arrastando os pés, mas era dar 6 horas já estava toda serelepe pra ir pra balada. Eu entendo que nem sempre a gente acorda com a melhor das inspirações, que nossa rotina diária não seja a mais prazerosa e tranquila, mas comece a observar como duas pessoas numa condição social semelhante, da mesma empresa, com cargos idênticos tem uma alegria de viver diferentes porque não lamentam e fazem do que tem o melhor possível. Um cobrador de ônibus que insiste em dar bom dia pros passageiros impede que o mau humor matinal seja maciço dentro do ônibus, enquanto no carro ao lado um outro cobrador só faz o dia mais carrancudo e ainda briga com o colega por tê-lo acordado 5 minutos mais cedo, que ele nem gosta do pão da padaria da esquina que o colega sorridente pagou. Poham, os dois devem ser vizinhos, o primeiro deve ter convidado o outro pra passar na padoca, tá aí sorrindo e o segundo reclamando da gentileza? Tá esperando uma bandeja na cama e um bilhete gentil do chefe que não tem pressa de chegar no trabalho? É essa atitude de constante insatisfação que me incomoda. Onde estão as orações matinais de "agradeço pela vida, e me encoraja a fazer do pouco que tenho o melhor que posso oferecer, pra que o sorriso de gratidão me seja sinal da Sua graça".
Desde que aquela senhora me falou sobre piedade, passei a eliminar esse sentimento da minha vida. Amo aqueles que fazem das dificuldades um desafio, e simplesmente ignoro os que persistem em se lamentar e se rebaixar. Competir em nível de desgraça, então, é abominável. "Cara, que sono, fui dormir tarde ontem fazendo faxina" "Ih, nem te conto que lá do casa nem faxina deu pra fazer, tava com a ernia atacada, não sobrou dinheiro pro detergente, meu marido fez hora extra e ainda me pediu pra esquentar comida, e a mulher do salão ainda errou o tom das luzes! Eu é que tô um caco!" (desculpa, era pra eu ficar com dó do que mesmo?)
***
Atualizando: é muito irônico ler esse texto hoje, véspera de Copa, originalmente escrito no celular enquanto cruzava o serpenteado do Joá completamente engarrafado em maio de 2013, com um motorista mucho loco às 6h da manhã me equilibrando no salto já que o máximo da gentileza que cabia ali era alguém segurar minha bolsa. De lá pra cá, a necessidade de não engolir sapo, mas de expor eventuais insatisfações cotidianas pra conseguir dissecá-las. Aos poucos você acaba se vendo na mesma relação de rebaixamento pela impotência que nos vemos em algumas situações.
Mas será que é mesmo impotência, ou esse comodismo covarde de nos obrigarmos a aceitar situações degradantes, ao invés de olhar pra cima e lidar com elas de forma leve e positiva, ou mudar todo o cenário?
Fica a reflexão, eterna reflexão...
domingo, 17 de março de 2013
O que ser quando crescer
É bem comum a gente encontrar vídeos motivacionais, mas esse, em especial, acabou saindo pela culatra num momento muito peculiar de uma pessoa muito próxima e amada, mas que eu vejo o desgaste diário em tentar responder a essa pergunta...
A gente passa a infância inteira sonhando, em devaneios hollywoodianos sobre heroísmo, celebridades, realização, fama e sucesso. E fica a adolescência inteira na maior angústia com essa maldita pergunta. O que eu quero ser quando crescer? E o mais triste, e não raro, os jovens adultos estão frustrados, deprimidos e desgastados por ainda insistirem em buscar essa resposta como se fosse definitiva na vida!
Tem gente que sempre soube o que queria, amou a faculdade que fez, se tornou um profissional seguro e satisfeito, aposenta bem e vai fazer cruzeiro e cuidar dos netos até morrer velhinho e risonho. Mas infelizmente a pressão social pelo padrão de bem-sucedido acelera uma escolha que nem todo mundo está preparado para - ou sabe como - fazer. Já é beeem mais comum gente que entra na faculdade sem saber direito o que realmente gosta, que toma pau em matéria básica da profissão por simplesmente não se reconhecer naquilo, que pula de emprego em emprego e nunca está feliz, tranquilo ou se destacando... e com isso os jovens se tornam adultos frustrados, cansados, ranzinzas, que vão criar filhos humilhados, perdidos, desorientados e sem referência real de sucesso.
Apelo aos institutos de coaching, aos palestrantes motivacionais, aos psicólogos, mas principalmente a cada um de nós mesmos, é que parem com essa pressão de o que vamos ser lá na frente. Só o hoje nos pertence, e por isso eu substituo essa pergunta:
O que você vai fazer HOJE pra crescer? E aí, quando você já tiver feito alguma coisa, e ver no que dá, e aprender com os erros e descobrir novos acertos e alegrias, você mira num próximo passo. E lá na frente, quando já tiver feito alguma coisa, poder responder: eu fui o meu melhor a cada dia. E isso bastou pra eu ser feliz...
A gente passa a infância inteira sonhando, em devaneios hollywoodianos sobre heroísmo, celebridades, realização, fama e sucesso. E fica a adolescência inteira na maior angústia com essa maldita pergunta. O que eu quero ser quando crescer? E o mais triste, e não raro, os jovens adultos estão frustrados, deprimidos e desgastados por ainda insistirem em buscar essa resposta como se fosse definitiva na vida!
Tem gente que sempre soube o que queria, amou a faculdade que fez, se tornou um profissional seguro e satisfeito, aposenta bem e vai fazer cruzeiro e cuidar dos netos até morrer velhinho e risonho. Mas infelizmente a pressão social pelo padrão de bem-sucedido acelera uma escolha que nem todo mundo está preparado para - ou sabe como - fazer. Já é beeem mais comum gente que entra na faculdade sem saber direito o que realmente gosta, que toma pau em matéria básica da profissão por simplesmente não se reconhecer naquilo, que pula de emprego em emprego e nunca está feliz, tranquilo ou se destacando... e com isso os jovens se tornam adultos frustrados, cansados, ranzinzas, que vão criar filhos humilhados, perdidos, desorientados e sem referência real de sucesso.
Apelo aos institutos de coaching, aos palestrantes motivacionais, aos psicólogos, mas principalmente a cada um de nós mesmos, é que parem com essa pressão de o que vamos ser lá na frente. Só o hoje nos pertence, e por isso eu substituo essa pergunta:
O que você vai fazer HOJE pra crescer? E aí, quando você já tiver feito alguma coisa, e ver no que dá, e aprender com os erros e descobrir novos acertos e alegrias, você mira num próximo passo. E lá na frente, quando já tiver feito alguma coisa, poder responder: eu fui o meu melhor a cada dia. E isso bastou pra eu ser feliz...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
27
Sempre quis chegar aos 27. Aos 7 eu mal sabia de mim, aos 17 eu me sentia dona de mim, aos 37 eu já quero não ter tantas aflições de conquistas por alcançar, dos 47 em diante, só usufruir e me alegrar com tudo o que tiver sido construído. Algo me dizia que só agora é que eu teria, enfim, a plena consciência de que comemorar aniversário é bobagem, que o bom mesmo é celebrar a vida em cada dia, em cada momento, em cada ausência e em cada encontro. E poder ter a alegria de receber cada abraço com o verdadeiro carinho de agradecer ão aos cumprimentos, mas a Deus por me abençoar tanto, com tanta coisa simples, mas de tão rara hoje em dia, preciosas: família, raros e bons amigos, um amor sereno e parceiro, um trabalho que me desafia, energia pra buscar o que ainda não germinou...
Mas acima de tudo, chegar aos 27, da forma como eu cheguei, depois de tantos tropeços, de tanto sofrimento - muitas vezes desnecessário, e com tantas revelações peculiares e surpreendentes, me fez ter um fim de ano de uma reflexão doce, humilde, silente, transbordantemente em paz. Hoje sou feliz, com uma tranquilidade imensurável, uma segurança na alma que só pode vir de Deus, e de tudo o que ele me inspira e me permite aprender.
Mas acima de tudo, chegar aos 27, da forma como eu cheguei, depois de tantos tropeços, de tanto sofrimento - muitas vezes desnecessário, e com tantas revelações peculiares e surpreendentes, me fez ter um fim de ano de uma reflexão doce, humilde, silente, transbordantemente em paz. Hoje sou feliz, com uma tranquilidade imensurável, uma segurança na alma que só pode vir de Deus, e de tudo o que ele me inspira e me permite aprender.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Vamos jogar bola!
Tomei birra de futebol quando era criancinha e meu pai se machucou feio numa pelada de fim de semana, quando um idiota deu um carrinho alto e rompeu um músculo da coxa. E desde então, não via a menor graça em passar 1h30 na frente da TV pra ver um bando de gente correndo quilômetros pra lá e pra cá sem muito resultado efetivo. Outros esportes eram mais densos: vôlei na estratégia , basquete agilidade, handebol destreza, natação velocidade, balé leveza, lutas consciência, atletismo superação.
Aí comecei a namorar um corinthiano roxo. E logo vim morar em São Paulo. E com ele no Rio, todo jogo ele perguntava e eu comecei a acompanhar de leve só pra saber mais. E aí veio a Libertadores, e aí fui entender o que é essa febre que fez esse povo ficar até altas horas da madrugada no meio da semana comemorando!
Não, não foi o fato de um título inédito invicto inflamando os torcedores. Não é por morar perto do estádio e ver a galera uniformizada, ou nem precisar ligar a TV porque o bar da esquina já grita a cada lance. Nem o fato de eu namorar um corinthiano que me fez ceder aos encantos da Fiel. Foi uma questão puramente profissional: a percepção da campanha ostensiva de marketing que o clube faz, não voltada só pra sua torcida, mas pra todo mundo.
Os times tem percebido a força de estender a sua comunicação de modo sedutor a quem também não torce. As redes sociais se tornaram canais de comunicação óbvios, os sites se aprimoram dia a dia, produtos personalizados, e todo tipo de ação que conclama as pessoas a investirem no seu time estão sendo criadas - de chamar a torcida pra apoiar o time a transformar estádios em shoppings - e abrir comemorações ao público.
“Ninguém se lembra de um comercial visto na TV no dia anterior. Mas uma pessoa se lembra de um evento ao qual compareceu por semanas. É a sensação que vale”, afirma Clarisse Setyon, especialista em Marketing Esportivo.
O futebol no Brasil é um negócio, não é só um esporte. Patrocínios milionários, campanhas publicitárias, valorização de passes. Tudo é estratégia de investimento! As empresas também tem procurado se envolver massivamente por reconhecer o potencial de exposição e promoção sensorial positivo com essa paixão nacional - e com a Copa, mundial!
Continuo não sendo lá grande fã de futebol. Mas no país do futebol, onde qualquer espaço entre duas coisas se torna gol, e com a Copa chegando aí, é impossível resistir ao apelo emocional.
Nasci dentro das quadras, sei bem que a vibração das arquibancadas contagia o time em campo. E se bem trabalhada, toda essa energia sustenta uma equipe de diversas formas - moral e financeiramente!
O futebol tem esse poder de engajamento, e outros esportes podem fazer escola e aprender a atrair investimentos de diversas fontes se conseguirem despertar essa magia. As Olimpíadas estão aí, temos bons atletas que não são adequadamente motivados e valorizados em diversas modalidades, e já é passada a hora de agir e incentivar!
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Prece...
As preces que fazemos por nós mesmos podem mudar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso? [663]
- Vossas provas estão entre as mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas, então, Deus tem sempre em conta a resignação. A prece chama para vós os bons Espíritos, que vos dão forças para suportá-las com coragem e elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece não é jamais inútil, quando ela é bem feita, porque fortalece, e é já um grande resultado. Ajuda-te e o Céu te ajudará, sabes isso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao capricho de cada um, porque aquilo que é um grandemal sob o vosso ponto de vista mesquinho e a vosa vida efêmera, é, frequentemente, um grande bem na ordem geral do Universo. Depois, quanto males não há de que o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Entretanto, os pedidos justos são mais frequentemente atendidos, como não pensais. Credes que Deus não vos tem escutado porque ele não fez um milagre por vós, enquanto Ele vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas. Frequentemente, ou o mais frequentemente mesmo, Ele vos suscita o pensament necessário para vos tirar da confusão.

Sim, devemos parar de esperar por grandes milagres. Deus nos inspira coragem e só nos pede que tenhamos os olhos abertos e o coração confiante na Sua providência!
De nada adianta toda a luz do mundo se nos escondermos nos medos e mediocridades mundanas...
- Vossas provas estão entre as mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas, então, Deus tem sempre em conta a resignação. A prece chama para vós os bons Espíritos, que vos dão forças para suportá-las com coragem e elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece não é jamais inútil, quando ela é bem feita, porque fortalece, e é já um grande resultado. Ajuda-te e o Céu te ajudará, sabes isso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao capricho de cada um, porque aquilo que é um grandemal sob o vosso ponto de vista mesquinho e a vosa vida efêmera, é, frequentemente, um grande bem na ordem geral do Universo. Depois, quanto males não há de que o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Entretanto, os pedidos justos são mais frequentemente atendidos, como não pensais. Credes que Deus não vos tem escutado porque ele não fez um milagre por vós, enquanto Ele vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas. Frequentemente, ou o mais frequentemente mesmo, Ele vos suscita o pensament necessário para vos tirar da confusão.
Livro dos Espíritos, Allan Kardec
Sim, devemos parar de esperar por grandes milagres. Deus nos inspira coragem e só nos pede que tenhamos os olhos abertos e o coração confiante na Sua providência!
De nada adianta toda a luz do mundo se nos escondermos nos medos e mediocridades mundanas...
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