terça-feira, 13 de janeiro de 2026

unhas escarlate

quando eu era criança, a casa da minha avó Luzia era uma viagem a outra dimensão. aquela senhorinha de 1,40m comandava a casa com energia lá em cima, e não tinha quem ousasse contrariá-la, nem segurar o riso com seus trocadilhos.

era um contraste enorme com a dona Lulu que visitava a gente em Patos. a gente nunca saia quando ela estava dormindo ou meditando, com os olhos sempre fechados e piscantes, sob o sol, no sofá.

quando adulta, fui conhecendo outras versões, menos amáveis e divertidas, mas igualmente contrastantes e intensas.


meu sonho era ter as unhas escarlate que ela ostentava sempre, mesmo na lida da casa, até o último suspiro. hora de madame, hora de fera. mas sempre escarlate.